O candidato a deputado estadual Danilo Morgado (PL) foi preso nesta quinta-feira (17) durante a Operação Vectura Corrupta, deflagrada pela Polícia Civil e pelo Ministério Público de São Paulo para investigar a atuação do Primeiro Comando da Capital (PCC) em estruturas políticas e no setor de transporte público.
Morgado é apontado pelos investigadores como integrante do chamado núcleo político da facção. A suspeita é de que sua campanha nas eleições municipais de 2024 tenha recebido recursos do PCC. A apuração busca esclarecer como o grupo criminoso teria financiado candidaturas e ampliado sua influência em órgãos públicos e empresas do setor de transporte.
A Justiça autorizou a prisão de 16 pessoas na operação. Entre os alvos estão o ex-vereador Milton Leite, presidente municipal do União Brasil, e Levi de Oliveira, que ocupou a presidência da São Paulo Transporte (SPTrans), vinculada à Secretaria Municipal de Transporte e Mobilidade Urbana.
Segundo a investigação, a nova fase identificou indícios de atuação direta da organização criminosa em atividades políticas e no transporte coletivo de passageiros na capital e em municípios do interior paulista. Os investigadores também apuram o possível financiamento de candidatos a prefeituras e câmaras municipais durante o pleito de 2024.
Os mandados são cumpridos em São Paulo, Santana de Parnaíba, São Bernardo do Campo, Diadema, Santos, Praia Grande e Cubatão.
Operação é desdobramento de investigação iniciada em 2024
A Vectura Corrupta dá continuidade às apurações da Operação Decúrio, realizada em agosto de 2024. Naquela ocasião, os investigadores apontaram a existência de uma rede atribuída ao PCC que envolveria uma fintech e agentes políticos da Grande São Paulo e do litoral sul do estado.
A investigação também alcança pessoas do círculo familiar de Danilo Morgado. No início de setembro, Luciene Athaydes Morgado, mulher do candidato, foi alvo de busca e apreensão durante a Operação Helmintos, que apura um esquema suspeito de movimentar quase R$ 1 bilhão na Baixada Santista.
De acordo com os investigadores, o grupo teria utilizado recursos para adquirir imóveis de luxo e controlar quiosques na orla de Praia Grande. Relatórios mencionados pelo jornal Metrópoles indicam que Luciene teria participado de operações financeiras e imobiliárias relacionadas ao esquema.
A polícia afirma ainda ter identificado que ela foi casada com um ex-integrante do PCC e que teria mantido proximidade com ele mesmo após o fim do relacionamento. A suspeita é de que Luciene tenha atuado em uma estrutura de lavagem de dinheiro associada à facção.
A Operação Vectura Corrupta amplia a investigação sobre a possível entrada do crime organizado em estruturas políticas e administrativas de São Paulo. A apuração pretende identificar de que forma recursos financeiros e influência em setores estratégicos teriam sido utilizados para financiar campanhas eleitorais e fortalecer a presença do PCC no transporte público.
As suspeitas ainda são objeto de investigação, e os envolvidos têm direito à defesa e à presunção de inocência.
Candidato do PL apoiado por Flávio Bolsonaro em Praia Grande é preso acusado de ser do PCC
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