A candidata ao Senado de São Paulo pelo Partido Socialista Brasileiro (PSB), Simone Tebet, que se identificava tradicionalmente com setores do agronegócio, tem passado por uma aproximação com pautas sociais, ambientais e de defesa da democracia nos últimos anos, desde sua aliança com o governo Lula, que adiciona uma nova feição a seu espectro político.
Quando se candidatou à Presidência, em 2022, Tebet se lançou sob o signo de um “centro democrático”, com uma chapa que reunia MDB, PSDB, Cidadania e Podemos para defender responsabilidade fiscal, participação da iniciativa privada, redução das desigualdades, políticas sociais e proteção ambiental.
Tebet terminou o primeiro turno com cerca de 4,9 milhões de votos, equivalentes a 4,16% dos votos válidos, em terceiro lugar na disputa. No segundo turno, no entanto, decidiu apoiar Lula.
Ao anunciar seu voto, afirmou que reconhecia no petista um compromisso com a democracia e a Constituição, embora “mantivesse críticas” ao presidente.
Histórico no MDB
Durante quase três décadas, ela esteve filiada ao MDB, partido que reúne personalidades de várias correntes ideológicas.
Em 2018, foi uma das parlamentares que assinaram a PEC 15/2018, proposta que previa alterações no artigo 231 da Constituição e estabelecia regras de indenização relacionadas à demarcação de terras tradicionalmente ocupadas por indígenas. A proposta acabou arquivada ao final da legislatura, em dezembro de 2022.
À época, o Conselho Indigenista Missionário (Cimi) incluiu Tebet em um levantamento de parlamentares identificados pela entidade como integrantes de uma atuação política contrária aos direitos indígenas.
Mudanças de posicionamento
Um dos momentos decisivos para a mudança de posicionamento de Simone Tebet ocorreu durante a CPI da Covid, em 2021. Como integrante da comissão, ela fez críticas duras à condução da pandemia pelo governo Jair Bolsonaro e, na sessão de votação do relatório final, classificou a conduta do governo como “errática e criminosa” pelo desestímulo a medidas de prevenção, como uso de máscaras e distanciamento social.
A atuação na CPI ampliou sua projeção nacional e a aproximou de setores que estavam na oposição ao governo Bolsonaro, o que contribuiu para distanciá-la de parcelas do eleitorado e da base política conservadora.
Na trajetória política anterior, Tebet apresentava propostas de cunho liberal, embora moderadas, focadas na defesa da responsabilidade fiscal, em incentivos ao agronegócio e à iniciativa privada.
Já como ministra do Planejamento e Orçamento do governo Lula, ela teve papel importante na construção e defesa do novo arcabouço fiscal; e, em março de 2023, ao apresentar a nova regra fiscal ao lado do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou que o modelo deveria oferecer credibilidade e previsibilidade às contas públicas, mas também “preservar espaço para políticas públicas”.
Durante a elaboração do Orçamento governamental de 2024, defendeu a recuperação de programas sociais e o aumento dos investimentos públicos, especialmente para áreas como saúde e educação.
Tebet também foi uma das defensoras da reforma tributária e argumentou que a mudança poderia estimular investimentos, além de permitir uma distribuição mais justa dos impostos.
‘Centro-direita na economia, centro-esquerda nos costumes’
Em entrevista publicada pela Folha de S.Paulo em julho de 2026, Tebet se definiu como “centro-direita na economia e centro-esquerda na pauta de costumes”.
Ao assumir o Ministério do Planejamento, em 2023, afirmou que o orçamento federal deveria contemplar grupos historicamente vulnerabilizados, como mulheres, negros e povos originários. E, mais recentemente, passou a enfatizar uma posição de conciliação entre agronegócio, agricultura familiar e políticas ambientais.
Também em entrevista à Folha de S.Paulo, Tebet disse defender inclusive a reforma agrária em terras devolutas e improdutivas, e afirmou que grandes produtores e agricultores familiares têm funções econômicas distintas e “não necessariamente excludentes”.
A mudança de partido, que ocorreu em março de 2026, foi outro dos giros importantes na trajetória política de Tebet, quando ela deixou o MDB depois de aproximadamente três décadas de filiação e ingressou no PSB para disputar o Senado por São Paulo.
Ela se aliou à chapa de Fernando Haddad (PT), candidato ao governo paulista, e a forças do campo governista.
O PSB é um partido situado no campo da esquerda e da centro-esquerda, mas a filiação não significou abandonar por completo as posições econômicas do campo liberal.
O discurso de Tebet permanece centrado na responsabilidade fiscal e no incentivo ao ambiente de negócios, embora agora também se preocupe com certa ênfase na necessidade de ampliar políticas sociais e de realizar reformas estruturais na economia.
A filiação ao PSB e a candidatura ao Senado na chapa de Fernando Haddad em São Paulo consolidaram a aproximação com o governo Lula, que ela apoia de maneira independente da associação partidária, isto é, do PT.
Simone Tebet é de direita ou de esquerda? Entenda a posição da candidata ao Senado de SP
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