Uma sondagem do instituto DATATEMPO, contratada pela Sempre Editora, responsável pela publicação do jornal mineiro O Tempo, mostra que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) abriu uma vantagem confortável na liderança das intenções de voto em Minas Gerais. O levantamento coloca o petista bem à frente do senador Flávio Bolsonaro (PL), seu principal perseguidor na disputa do primeiro turno.
De acordo com os dados do cenário estimulado, quando os nomes dos pré-candidatos são apresentados aos entrevistados, Lula alcançou 40,2% da preferência do eleitorado mineiro, contra 30,9% registrados por Flávio Bolsonaro. A distância entre ambos é de 9,3 pontos percentuais, estabelecendo uma clara margem de separação acima do limite de variação estatística.
Quando o recorte analisa exclusivamente a estimativa de votos válidos, parâmetro que desconsidera os votos brancos, nulos e os eleitores indecisos, replicando o critério oficial adotado pela Justiça Eleitoral na apuração das urnas, a vantagem do chefe do Executivo se amplia. Nesse formato, Lula soma 45,8% das intenções de voto, enquanto o parlamentar do PL contabiliza 35,2%. A diferença atinge 10,6 pontos percentuais a favor do candidato à reeleição.
O levantamento traz um componente analítico relevante: o rompimento do patamar de paridade verificado em estudos anteriores. Como a margem de erro da pesquisa é de 3,1 pontos percentuais para mais ou para menos, os números atuais descartam a hipótese de empate técnico entre os dois primeiros colocados. Na amostragem prévia realizada pelo mesmo instituto no estado, a distância entre os adversários era substancialmente menor, registrando 35,6% para o petista ante 31,2% do senador liberal.
Polarização e voto útil consolidam quadro
Os dados coletados apontam para uma forte concentração de forças políticas nas duas candidaturas majoritárias, que somadas acumulam cerca de 70% da totalidade das intenções de voto em solo mineiro. Na avaliação de analistas de comportamento eleitoral do DATATEMPO, a movimentação da reta final reflete uma tendência natural do eleitorado em afunilar escolhas rumo aos nomes percebidos como efetivamente competitivos na disputa nacional. Esse movimento de coordenação e voto estratégico tende a enfraquecer opções intermediárias na medida em que a data do pleito se aproxima.
Logo abaixo da liderança polarizada, o escritor Augusto Cury (Avante) aparece na terceira colocação numérica, registrando 5,8% das preferências gerais (o equivalente a 6,6% dos votos válidos). Mais abaixo no levantamento surge o governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD), que obteve 4% da preferência na amostragem geral (4,6% dos válidos).
O nível de cristalização das escolhas no estado também se mostra elevado a poucos dias da votação. Segundo a pesquisa, 68,6% dos eleitores de Minas Gerais declaram que sua decisão para a Presidência da República é definitiva e não sofrerá alterações. Por outro lado, o contingente daqueles que se dizem indecisos soma 12,2%, enquanto 10,6% afirmam possuir uma opção firme, mas passível de revisão até o dia da votação. Outros 7,9% classificam a escolha como uma preferência inicial passível de mudança, e 0,7% optaram por não responder.
Dificuldade de decolagem do ex-governador mineiro
No recorte que avalia os quadros políticos locais, o ex-governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), demonstra estagnação e dificuldades para converter sua notoriedade regional em dividendos na corrida ao Palácio do Planalto. No cenário estimulado de primeiro turno, Zema figura em quarto lugar numérico, com 4,3% das intenções de voto (atingindo 4,9% na fatia de votos válidos).
O desempenho atual confirma uma trajetória descendente do político em seu próprio berço eleitoral. No início do ano, durante as primeiras medições feitas pelo instituto, o ex-gestor estadual aparecia na terceira posição, marcando 10,8% dos votos. Quando testado no cenário espontâneo, momento em que o entrevistador não cita os nomes dos concorrentes, a lembrança ao nome de Zema cai para apenas 1,1% das menções espontâneas dos mineiros, quadro liderado por Lula com 35,9%.
Especialistas em ciência política ressaltam que a trajetória administrativa no governo de Minas não se traduz automaticamente em capital para a disputa presidencial. O afunilamento entre os nomes do PT e do PL drenou o espaço de candidaturas alternativas no estado, impondo a Zema um gargalo adicional: disputar a simpatia de um eleitorado conservador que, no cenário nacional, encontra-se majoritariamente alinhado e engajado com a candidatura de Flávio Bolsonaro.
Metodologia do levantamento
A pesquisa DATATEMPO foi encomendada pela Sempre Editora e ouviu 1.000 eleitores presencialmente, em entrevistas domiciliares realizadas em Minas Gerais entre os dias 24 e 27 de setembro de 2026. O levantamento apresenta margem de erro de 3,1 pontos percentuais para mais ou para menos e nível de confiança estatística de 95%. A amostragem foi devidamente registrada perante a Justiça Eleitoral sob os protocolos MG-01851/2026 e BR-04527/2026.
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