Os comentários que Flávio Bolsonaro fez sobre Belém no debate dessa sexta-feira (23) na TV Globo, quando disse que a cidade tinha “cheiro ruim”, foram alvo de respostas contundentes de políticos em ato pró-Lula neste sábado (24), na Aldeia Cabana, na capital paraense.
O candidato do PL disse que viu “como é desumano pessoas que moram em um local, no centro de Belém, onde passa o esgoto a céu aberto”. “É urubu revirando comida na porta de casa, as pessoas se acostumando a morar e viver em um lugar que tem cheiro ruim.”
O senador eleito Helder Barbalho (MDB), ex-governador do Pará, pediu respeito a Belém e ao Pará e disparou: “O que fede é teu preconceito, o que fede é o teu desconhecimento desta terra”. “Você não conhece o Pará, você não conhece o povo paraense. E o paraense vai dar uma resposta neste domingo, dizendo não ao fascismo, não a um miliciano, não a quem não ama o estado do Pará. É Lula, é 13 para presidente do Brasil”, afirmou em tom inflamado, em cima do trio elétrico, arrancando aplausos da multidão.
O seu irmão, Jader Barbalho Filho (MDB), eleito deputado federal, também mostrou indignação com a fala do candidato do PL sobre a capital pareense. “Belém, se se respeitar, depois do que ouvi o Flávio falar da gente ontem, vai votar em Lula. Porque o que fede é a boca dele. A minha Belém é de gente cheirosa, é de gente digna e trabalhadora. E eu tenho certeza de que, neste domingo, a gente vai mostrar a nossa força, pelo presidente Lula, por nossa honra e pela nossa democracia”, afirmou.
O prefeito de Belém, Igor Normando (MDB), que já havia se manifestado sobre o tema nas redes, disse que não fecha os olhos para os problemas e que a cidade tem muitos desafios.
“Mas daqui eu faço uma pergunta: o que o Jair Messias Bolsonaro fez por Belém durante quatro anos? Agora eu sei o que o Lula fez em Belém nos últimos quatro anos. Foi o Lula que fez, junto com o governo do estado e com a prefeitura, o maior programa de macrodrenagem da história da cidade. São mais de 300 mil pessoas que vão sair dos alagamentos, mais de 150 mil que já saíram. Tudo isso porque o governo federal passou a olhar para Belém com outros olhos”, afirmou.
O prefeito fez menção à camiseta que vestia com a palavra “Nortista”. “Eu sou de Belém, e Norte não se escreve com M e nossos ‘índios’ não comem ninguém”, disparou, fazendo referência à letra da canção “Belém Pará Brasil” (1992), do grupo de rock Mosaico de Ravena, que se tornou uma espécie de hino moderno da cidade.
Araceli Lemos, que foi a candidata do PSOL ao governo do Pará, disse que “não vamos permitir, enquanto estamos aqui sentindo o cheiro de gente linda e trabalhadora, que alguém venha dizer que Belém fede”. “O que fede é o preconceito, é o racismo ambiental. Sai pra lá, coiso!”, declarou em seu discurso.
Já a vereadora Vivi Reis, também do PSOL, disse em entrevista à Revista Fórum que a fala de Flávio Bolsonaro foi “um absurdo, um verdadeiro desconhecimento, principalmente porque ele ignora as desigualdades sociais existentes no país”.
E continuou: “Nós também temos uma questão muito cultural com os cheiros do Pará. O nosso Ver-o-Peso é um patrimônio. Quando ele fala do fedor, ele está se referindo de forma pejorativa. Nós sabemos o quanto se zela por esses espaços. Eles não são sujos, porque existe toda uma dinâmica de trabalho com os peixes, que gera esse nosso ‘pitiú’ (gíria paraense para cheiro forte)”.
A política reconhece que Belém carece de saneamento básico. “Não ignoramos esse fato. Mas entre isso e dizer que a cidade fede, existe uma grande diferença. Até porque os nossos canais, na verdade, são rios, são igarapés, que têm relação com a nossa cultura e com a nossa identidade amazônida. E eles não fedem. Ele precisa lavar a boca antes de falar de Belém porque só sai da boca dele discurso de ódio e ataque aos trabalhadores.”
O ato, que reuniu uma multidão, contou também com apresentações de artistas paraenses, como Lia Sophia, Aíla, Manoel Cordeiro, Alba Mariah e Eloi Iglesias. Um dos pontos altos foi a participação do Arraial do Pavulagem, grupo cultural amazônico que reúne música, dança, saberes populares e tradições.
“O que fede é teu preconceito”, diz Helder Barbalho para Flávio Bolsonaro em ato pró-Lula em Belém
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