Cozinheiro do Bem, Júlio Ritta rebate Nikolas Ferreira e serve picanha a pessoas em vulnerabilidade; entenda

Cozinheiro do Bem, Júlio Ritta rebate Nikolas Ferreira e serve picanha a pessoas em vulnerabilidade; entenda
- Nikolas Ferreira, no detalhe Julio Ritta mostra picanha servida embaixo de viaduto (Beto Barata Partido Liberal /...

O cozinheiro Júlio Ritta, fundador do projeto social Cozinheiros do Bem – Food Fighters, respondeu com picanha, risoto e comida na mesa aos ataques do deputado federal bolsonarista Nikolas Ferreira (PL-MG), que ironizou perda de patrocinadores bolsonaristas da iniciativa após o chef manifestar apoio ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Em vídeo divulgado neste domingo (1º), Ritta mostrou a preparação de refeições para mais de 500 pessoas em situação de vulnerabilidade social no Viaduto da Conceição, em Porto Alegre (RS), e mandou um recado direto ao parlamentar.
“Vocês acharam que iam me derrubar, hein, ô seu moleque, Nikolas Ferreira? Eu nem conheço a tua história, sabe por quê? Porque eu não tenho tempo pra isso! Eu acho que tu ainda estava nas fraldas quando eu comecei a servir comida nesse viaduto”, disparou o cozinheiro, que há 11 anos distribui refeições a pessoas que passam fome na capital gaúcha.
A resposta veio depois que Nikolas usou suas redes sociais para ironizar o boicote de empresários e doadores ao projeto, relatado por Ritta após a vitória de Lula sobre Flávio Bolsonaro (PL) nas eleições presidenciais.
Em reação ao boicote, o cozinheiro reuniu voluntários e preparou um cardápio especial: risoto à parisiense, picanha ao molho demi-glace, tomate-cereja, alface, suco gelado e cuca.
“Mais de 500 pessoas hoje aqui no Viaduto da Conceição não vão precisar meter a mão numa lata de lixo pra comer. E essa é a porra da nossa vitória!”, comemorou.
Entenda como começou a polêmica
A disputa começou após Júlio Ritta denunciar que empresários e apoiadores haviam suspendido doações e patrocínios destinados ao Cozinheiros do Bem em razão de seu posicionamento político nas eleições.
Na quinta-feira (29), Nikolas Ferreira compartilhou um vídeo do cozinheiro nos stories do Instagram e fez uma publicação ironizando a perda dos recursos.
“O cara tem um projeto ‘Cozinheiros do Bem’. Tem uma festa programada para dia 14 onde terá o cantor MV Bill. Ele fez esse vídeo xingando a direita (no mínimo 60 milhões de pessoas) e agora os patrocinadores e doadores cancelaram toda verba”, escreveu o deputado.
Nikolas também questionou por que Ritta continuaria recebendo contribuições de empresários que, segundo a interpretação do parlamentar, haviam sido chamados de “milicianos, extremistas, fascistas e genocidas”.
“Afinal, por que receber o dinheiro de quem é miliciano, extremista, fascista e genocida? Coerência, né? Simples”, escreveu.
O deputado ainda recorreu a um argumento religioso, afirmando que a verdadeira caridade deveria nascer de uma alma voltada à santidade.
Ritta respondeu ainda na quinta-feira, também pelas redes sociais. “Late mais alto, moleque. Aproveita e pega o próximo voo e não esquece de pegar a peruca”, escreveu, em referência ao episódio em que Nikolas utilizou uma peruca rosa durante um discurso na tribuna da Câmara dos Deputados.

 

Ver esse post no Instagram

 
Um post compartilhado por Julio Ritta (@julioritta)

 
A discussão ganhou repercussão e mobilizou apoiadores do projeto social. Ritta relatou ter recebido novas doações e manifestações de solidariedade depois do episódio.
“Ao invés de propagar fake news, eu resolvi servir a tal da picanha”
No vídeo divulgado no domingo, o cozinheiro transformou a picanha, símbolo explorado na disputa política em torno das promessas de Lula, em resposta concreta às provocações da extrema direita.
“Então, ao invés de propagar fake news, viajar com jatinho emprestado, eu resolvi servir a tal da picanha que vocês falavam que era a picanha do Lula. Se o Lula serve ou não, não tô nem aí, meu irmão! O Júlio Ritta há 11 anos serve comida nesse viaduto em Porto Alegre”, afirmou.
O cozinheiro também convidou Nikolas a conhecer a realidade das pessoas atendidas pelo projeto.
“Quem sabe tu não faz o mesmo? Tu é novo ainda, ainda tem muito que aprender. E não é prepotência, não. É porque quem vive na rua sabe como é a realidade da nossa população.”

 

Ver esse post no Instagram

 
Um post compartilhado por Julio Ritta (@julioritta) 

Ritta lembrou que a fome não atinge apenas pessoas em situação de rua. Segundo ele, famílias inteiras procuram as refeições distribuídas pelos voluntários porque não têm sequer condições de preparar comida em casa.
“Enquanto tiver uma pessoa numa fila nossa, e não só pessoas em situação de rua, muitas e muitas famílias vêm até aqui porque elas não têm gás dentro de casa. E aí vocês vêm com a pachorra de dizer: ‘Faz o L’, ‘Pede pro teu presidente’.”
“O que o teu Cristo faria?”
Um dos momentos mais contundentes do vídeo ocorre quando Júlio Ritta questiona a utilização da religião pelo deputado bolsonarista.
“Então, tu gosta tanto de falar sobre dados, hein, cristão? O que o teu Cristo faria se estivesse vivo hoje? Andaria só com quem tem dinheiro? Com os empresários que vocês disseram que eu ataquei? Ou ia tá aqui embaixo desse viaduto?”, questionou.
Em seguida, o cozinheiro apresentou sua própria concepção de solidariedade cristã.
“O meu Cristo é esse, e ele não carrega uma cruz; ele carrega um monte de cooler cheio de comida!”
A provocação contrapôs o discurso religioso do parlamentar ao trabalho de assistência alimentar realizado pelos voluntários nas ruas de Porto Alegre.
Ritta também rejeitou a tentativa de transformar a distribuição de comida em uma disputa entre governos de esquerda e de direita.
“Há 11 anos eu faço isso. Só que o Brasil não tem apenas vinte anos de governo de esquerda. São mais de quinhentos anos de sofrimento de uma nação”, afirmou.
Mais de 8 milhões de marmitas em 11 anos
O Cozinheiros do Bem atua há 11 anos no combate à fome, com distribuição de refeições e mobilização de voluntários. Segundo o balanço apresentado por Ritta, o projeto já distribuiu mais de 8 milhões de marmitas desde sua criação.
Durante a pandemia de Covid-19, a iniciativa teria atendido 96 comunidades e atuado em mais de 36 cidades do interior do Rio Grande do Sul. Nas enchentes que devastaram o estado em 2024, o grupo também participou da assistência às famílias desabrigadas.
Ritta afirma que os voluntários atenderam mais de 1.200 pessoas no maior abrigo da capital gaúcha, com a produção de 4.800 refeições diárias, além de outras 3.800 refeições no Parque Olímpico de Canoas.
Os números foram apresentados pelo próprio cozinheiro e mostram a dimensão da atuação reivindicada pelo projeto.
“São mais de 8 milhões de marmitas servidas nesses 11 anos. Eu tenho um orgulho da porra disso! Mas uma felicidade plena eu vou ter no dia que não tiver uma pessoa nessa fila. Mas até lá, a gente segue”, afirmou.
Para Ritta, o objetivo do Cozinheiros do Bem vai além de distribuir alimentos. “A comida é e sempre será só a ponte”, resumiu.
O cozinheiro encerrou o vídeo cercado de voluntários e das refeições preparadas para a população em vulnerabilidade, com uma mensagem coletiva: “Eu sou o que eu sou porque somos todos nós! Todos nós!”

Ver mais

💬 Comentários (0)

Seja o primeiro a comentar!