O israelense Menachem Booky Halevy, apontado como ex-agente do Mossad, o serviço secreto de Israel, é um dos personagens identificados na operação que permitiu a fuga de Flávio Bolsonaro (PL) do Brasil para os Estados Unidos, dois dias depois de sua derrota para Lula (PT) no segundo turno das eleições presidenciais.
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Halevy cruzou a fronteira entre Foz do Iguaçu (PR) e Puerto Iguazú, na Argentina, na noite de 27 de outubro, acompanhado de Roberto Jorge Alexandre, advogado que já atuou na defesa de Jair Bolsonaro (PL). Os dois estavam em uma van que atravessou a fronteira cerca de sete minutos antes de outro veículo associado à entrada de Flávio Bolsonaro e seus familiares em território argentino.
A identificação do israelense foi revelada pelo Fantástico, da TV Globo, neste domingo (1º), a partir de documentos migratórios argentinos. A presença de um ex-integrante de um dos mais conhecidos serviços de inteligência do mundo amplia as suspeitas sobre a estrutura montada para retirar o senador do Brasil, apesar da determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que o proibia de deixar o território nacional.
Quem é Menachem Booky Halevy
Identificado como ex-integrante do Mossad, Halevy é israelense e também possui cidadania norte-americana.
Seu histórico profissional anterior à operação permanece pouco esclarecido publicamente. As reportagens que o identificam não detalham quando ingressou no serviço de inteligência israelense, quanto tempo permaneceu na instituição nem quais funções exerceu.
O Mossad é a agência responsável pelas operações de inteligência exterior de Israel, incluindo coleta de informações, atividades clandestinas e operações especiais fora do território israelense.
Segundo a CNN Brasil, Halevy chegou ao Brasil em 19 de outubro, seis dias antes do segundo turno das eleições presidenciais. A data é relevante porque a operação que culminou na fuga de Flávio Bolsonaro teria começado a ser organizada ainda durante a campanha eleitoral, antes da confirmação da vitória de Lula.
Informações divulgadas posteriormente apontam que o israelense já havia realizado outras três viagens ao Brasil em 2026. O objetivo dessas visitas, os locais por onde passou e os contatos mantidos no país ainda precisam ser esclarecidos.
A retirada do senador como uma operação planejada de exfiltração teria recebido o codinome de “Alba”.
A travessia com advogado de Bolsonaro
A identificação de Halevy ganhou novos contornos com a divulgação dos registros de imigração argentinos. Segundo o Fantástico, o israelense atravessou a fronteira acompanhado de Roberto Jorge Alexandre, advogado que participou da defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Os dois estavam em uma van conduzida por Neri Luiz Dala Corte, motorista contratado para transportar os passageiros de Foz do Iguaçu até o aeroporto de Puerto Iguazú.
O veículo passou pelo controle migratório aproximadamente sete minutos antes de outra van associada à entrada de Flávio Bolsonaro na Argentina.
Ainda não está esclarecido quem contratou os serviços de Halevy, qual foi sua participação no planejamento da viagem e se ele manteve contato com representantes dos governos argentino ou norte-americano.
Uma operação internacional
A fuga de Flávio Bolsonaro envolveu deslocamentos terrestres e aéreos entre Brasil, Argentina, Equador e Estados Unidos. Após atravessar a fronteira, o senador embarcou com a família em um Gulfstream G400, matrícula LV-JQW, operado pela empresa argentina Baires Fly.
A aeronave fez uma escala em Guayaquil, no Equador, antes de aterrissar no aeroporto executivo de Opa-locka, na região de Miami, na manhã de 28 de outubro.
Reportagens do The New York Times e do Wall Street Journal atribuíram a Jason Miller, aliado e assessor político de Donald Trump, participação na organização do transporte aéreo. O secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, nega que os Estados Unidos tenham participado da organização da fuga.
Na Argentina, o nome de Santiago Caputo, um dos principais assessores do presidente Javier Milei, também apareceu em reportagens sobre os bastidores da operação.
Os mistérios que cercam o ex-agente
A presença de Menachem Booky Halevy na operação deixa questões centrais sem resposta. A primeira é saber quem acionou o israelense e qual relação ele mantinha anteriormente com Flávio Bolsonaro ou seus aliados. Há ainda a possibilidade da participação direta do governo sionista de Benjamin Netanyahu no plano do clã Bolsonaro.
Outra questão envolve suas viagens anteriores ao Brasil e a possibilidade de ter participado de reuniões ou preparativos relacionados à retirada do senador.
Também permanece desconhecida a origem dos recursos utilizados para custear a operação, incluindo os transportes terrestres, a logística internacional e o fretamento do avião.
A Polícia Federal apura as circunstâncias da saída de Flávio Bolsonaro, que ocorreu apesar de uma determinação judicial que o impedia de deixar o país.
A identificação de Halevy e de seu acompanhante na travessia da fronteira representa uma nova pista para reconstruir a rede de pessoas que participaram da operação. Até o momento, porém, não há decisão judicial que estabeleça a responsabilidade criminal do israelense nem comprovação de participação institucional do Mossad na fuga.
Quem é o ex-agente do Mossad que atuou na fuga de Flávio Bolsonaro do Brasil
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